| Revista Eletrônica de Ciências | ||
| São Carlos,
.
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Número 25, Abril de 2004 | Artigo |
Luís
Antônio Silva & Daniel Dias Gato
Estudantes de Licenciatura em
Ciências Exatas da
Universidade de São Paulo - USP - campus São Carlos e Professores do
Colégio CAASO
A
palavra alquimia, AL-Khemy,
vem do árabe e quer dizer "a
química". Esta ciência começou a se
desenvolver por volta do século III a. C. em Alexandria, o
centro de convergência da época e de
recriação
das tradições gregas, pitagóricas,
platônicas,
estóica, egípcias
e orientais. A alquimia deve sua existência à mistura de
três
correntes: a filosofia grega, o misticismo oriental e a tecnologia
egípcia. Obteve grande êxito na metalurgia, na
produção
de papiros e na aparelhagem de laboratório, mas não
conseguiu seu principal objetivo: a Pedra
Filosofal.

Os preceitos e axiomas alquímicos encontram-se condenados na misteriosa “ Tábua Esmeraldina”(a esmeralda era considerada como a pedra preciosa mais formosa e mais cheia de simbolismo: a flor do céu), um dos quarenta e dois livros da doutrina hermética atribuídos a Hermes Trimegisto.
Hermes "Trismegisto" (isto é,
três vezes grande) é identificado como sendo o deus
egípcio Toth, que é uma representação do
poder intelectual. Referências a ele já existiam nos
tempos do filósofo Platão, por volta do ano 400 a. C..
Diz a lenda que os preceitos de Hermes foram gravados em uma esmeralda,
o que deu origem ao nome "Tábua de Esmeralda". Os preceitos e
ensinamentos de Hermes pautaram o trabalho dos alquimistas, que em suas
obras faziam referências à Tábua de Esmeralda
pelo seu nome latinizado, Tábula
Smaragdia. São preceitos metafísicos bastante
avançados e complexos, de forma que só eram
compreendidos pelos iniciados. Do nome de Hermes derivou o termo
"hermético" e o "hermetismo", que significam "aquilo que
é fechado, restrito". Algo que é hermeticamente fechado
significa inacessível. Ensinamentos herméticos são
restritos aos iniciados e pessoas comprometidas com determinada
área do ocultismo.

Os sábios
que dedicaram sua vida inteira à pesquisa
alquímica pretendiam transformar os
materiais opacos
em metais brilhantes e nobres. Em suas recolhas de laboratórios
realizavam
valiosas pesquisas e idealizaram uma linguagem cheia de símbolos
indecifráveis
para, deste modo, burlar a vigilância a que estavam submetidos
por parte
daqueles regulamentos sociais, que em todos os tempos tem considerado
como
tarefa prioritária a
perseguição, ou desqualificação
daqueles que se atrevem a discordar e não compartilhar dos
convencionalismos. Os grandes personagens do pensamento
hermético e esotérico anotavam sua
investigações
em códigos e as chaves decifradoras só eram conhecidas
pelos iniciados. Com
isso muitos alquimistas se separavam da sociedade, formando seitas
secretas e
seu engajamento era feito através de juramentos:

Devido
às suas origens, a alquimia apresentou um caráter
místico, pois absorveu as ciências ocultas da
Mesopotâmia, Pérsia, Caldéia, Egito e Síria.
A
arte hermética
da alquimia já
nasceu em lenda e mistério. Os
alquimistas usavam fórmulas e recitações
mágicas destinadas a invocar deuses e demônios
favoráveis as operações químicas. Por
isso muitos eram acusados de pacto com o demônio, presos,
excomungados e queimados vivos pela Inquisição da Igreja
Católica. Por questão de sobrevivência, os
manuscritos
alquímicos
foram elaborados em formas de poemas alegóricos,
incompreensíveis aos não iniciados. Mais
de dois mil anos antes do
início da nossa era, os babilônios
e os egípcios, procuravam obter ouro artificialmente, e
já
se interessavam pela transformação dos metais em ouro.
Nessa época, a prática da alquimia era realizada sob o
mais
absoluto dos segredos, pois era considerada uma ciência oculta.
Sob a influência das ciências advindas do Oriente
Médio,
os alquimistas passaram a atribuir propriedades sobrenaturais às
plantas, letras, pedras, figuras geométricas e os
números eram usados
como amuletos, como o 3, o 4 e o 7.
Em
função
das condenações proclamadas pela Igreja Católica
aos alquimistas, durante a Idade Média,
o cheiro de enxofre passou
a ser associado ao diabo.
Os alquimistas
faziam suas experiências com enxofre comum, sendo
denunciados pelos fortes cheiros emanados de suas
casas ou laboratórios, o que permitia que fossem facilmente
detectados e acusados de bruxaria e pacto com o demônio, pondo fim aos seus
trabalhos. É também
digno de registro a criação de Drácula, o
vampiro, acusado de
obter longevidade às custas do sangue humano. Seu surgimento
não passou de uma
bem sucedida tentativa para desmoralizar uma
ordem mística alquimista,
surgida na Idade Média, que trabalhava na obtenção
do
elixir da longevidade. Importante
também, é enumerar as muitas descobertas feitas por alquimistas em seus laboratórios, nas suas
tentativas para atingir a
Pedra Filosofal:
Água-régia(mistura
de ácido nítrico e
clorídrico), arsênico,
nitrato de prata (que
produz
ulcerações
no tecido animal), acetato de chumbo,
bicarbonato de potássio, ácidos sulfúrico,
clorídrico, canfórico,
benzóico e nítrico, sulfato de
sódio e de amônia, fósforo,
a potassa cáustica (hidróxido de
potássio, que permitia a fabricação de
sabões), entre muitas outras coisas
que possibilitaram a
evolução da humanidade.
O sucesso
da alquimia na Europa se deve aos árabes, que introduziram
idéias místicas acompanhadas por avanços
práticos no procedimento químico como a
destilação e a descoberta de novos
metais e componentes.
À baixo e à direita,
temos um
quadro de Henri Khunrath que mostra um
laboratório oratório. Nos frascos que se alinham sobre a
bancada da chaminé se guardam certas substâncias
alquímicas. Reparem também no alquimista que, de
joelhos diante da tenda-oratória, implora a graça
divina para o consumação do feito. A palavra
Laboratório tem a seguinte origem: Labor = trabalho;
Oratório = local
de orações.

A partir das obscuras etimologias,
através de uma leitura intrincada, enigmática e carregada
de símbolos dos escritos alquimistas, o que pode-se ter
claramente é que as finalidades que perseguia a alquimia
resume-se em três fundamentos:
Os
primeiros textos traduzidos do grego
para o árabe foram os textos de alquimia, dizia o sábio Ibn
Al Nadim,
no século X. Al Nazi
é o primeiro alquimista cuja obra e vida foram descritas por
outros autores
credíveis.
Dispositivos novos ou aperfeiçoados são introduzidos: o “banho-maria” (banhos de ar quente), os cadinhos perfurados permitindo a separação por fusão, as diferentes retortas de destilação, de sublimação. A classificação das substâncias é variável de um autor para outro. Exemplos:
As operações alquímicas eram longas, duravam horas e até dias, mas tratava-se de reproduzir no laboratório, na “matriz artificial” que constitui um alambique bem fechado, um processo que, na natureza, se mede em séculos.
No mundo islâmico, os
alquimistas eram alvos de gracejos já
que os escritos alquímicos eram cheios de símbolos e era
impossível saber se um
autor compreendia o que ele escrevia. Quando os textos foram
traduzidos em
latim, por volta do século XII, os sábios cristãos
estavam divididos entre o
nobre desejo de melhor combater o inimigo infiel e a curiosidade
devoradora
pelos saberes.
A
alquimia cristã, como a alquimia
árabe, toma questão de avaliação. Saber
quem era alquimista medieval, era a primeira
dificuldade presente na alquimia cristã
devido a sua situação anônima.
Enquanto
os árabes possuíam apenas
ácidos fracos e soluções de sais corrosivos, os
alquimistas europeus aprenderam
a preparar e condensar ácidos
forte, no
século XVI.
Primeiro o ácido nítrico, depois
o ácido clorídrico,
em seguida o ácido sulfúrico até chegar a
água régia que dissolve até o ouro.
Para os
alquimistas chineses, o
principal objetivo era atingir a
imortalidade. Para eles, a não reatividade do ouro era
inalterável e, por isso,
imortal. Tentavam manufaturar
o ouro e esperava-se que, dessa forma,
poderia ser preparada uma “pílula
da imortalidade”.